Apaixonei-me pelo desafio do raciocínio clínico e pela possibilidade de acompanhar os meus pacientes ao longo do tempo. Gosto de construir relações de confiança, conhecer a história de cada pessoa e acompanhá-la nas diferentes fases da sua vida. Acredito que a medicina faz mais sentido quando existe continuidade e quando o paciente sente que tem alguém ao seu lado durante todo o processo.
A minha prioridade é que ninguém saia da consulta sem sentir que foi ajudado. Nem sempre tenho todas as respostas, mas faço questão de que todos saiam com uma orientação. Se o problema não pertence à minha área, encaminho para quem melhor o pode resolver.
A consulta não é apenas um momento para fazer um diagnóstico ou prescrever um tratamento. É um espaço onde as pessoas devem sentir que podem falar, esclarecer dúvidas e participar nas decisões sobre a sua própria saúde.
Eu já tentei de tudo.
É a frase que ouço com mais frequência, sobretudo quando falamos de emagrecimento. Nesses momentos o meu papel é ouvir sem julgamentos, compreender o percurso daquela pessoa e construir, em conjunto, um plano realista, seguro e baseado na melhor evidência científica.
Os momentos que mais me marcam são aqueles em que vejo uma transformação que vai além da doença. Uma paciente chegou até mim profundamente deprimida e com a autoestima em baixo. Ao longo do processo de emagrecimento foi recuperando a confiança em si própria, deixou de se isolar em casa e voltou a fazer coisas que já não fazia há muito tempo, como ir de férias com um grupo de amigos.
Nem sempre os tratamentos resultam como esperamos, e isso faz parte da Medicina. Quando um plano não resulta, não procuro culpados: prefiro perceber o que não funcionou e encontrar uma nova estratégia. Cuidar de alguém é caminhar ao seu lado, mesmo quando o percurso não é linear.
No fim de cada dia, o que me faz sentir realizada não é o número de consultas, mas saber que as pessoas saíram mais tranquilas, mais esclarecidas e com esperança.